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Entre Pits #12 – Vitor Genz

Grande destaque da Stock Car e do Endurance nacional, Vitor Genz aparece no Planeta Velocidade para contar as melhores passagens da sua carreira e o que vem por aí!

Foto destaque (acervo pessoal)

Colaboração:
Keko Gomes
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Revisado Escrito por Francisco Brasil

Planeta Velocidade – O início de carreira de praticamente todos os pilotos é no kart. Com quantos anos você começou a correr e, no início foi como hobby ou já foi focado em ter uma carreira no automobilismo?

Vitor Genz – Eu comecei no kart com 9 anos, hoje eu tenho 31. Comecei incentivado pelo meu pai, ele já corria vários campeonatos, ganhou vários campeonatos regionais e também correu em campeonatos brasileiro de marcas 1.6, e eu logo de cara me dei muito bem. Então ali com 10 anos eu já fiz uma escolinha de kart, e ali fui ganhando um pouquinho mais de experiência até os meus 15 anos. Eu fiz vários campeonatos de kart, muitos de endurance mas sempre com kart pro 400 nunca de 125. Então talvez a minha experiência tenha sido um pouco diferente dos pilotos que já começam nos 125, eu ia de Pro 400 porque era muito mais barato. Eu ganhei um campeonato Pan-americano, ganhei um campeonato Gaúcho de Endurance, e ali comecei a tomar gosto pela coisa. Mas confesso que eu ainda não era 100% apaixonado pelo automobilismo. Essa paixão mesmo começou quando eu pude correr no carro de Marcas 1.6 com pneu radial, que foi ali nos 15 pra 16 anos. Já comecei a andar e fazer alguns treinos, e foi ali que realmente eu comecei a gostar e ir em corridas nos autódromos, porque eu adorava andar no kart ou no carro, mas eu não acompanhava muito as corridas nos autódromos. Gostava mais de andar do que ver os outros andar, não era muito fã (risos) mas quando eu passei pro carro sim que a coisa ficou de verdade.

PV – Após o kart você começou a andar em categorias de turismo regionais no Rio Grande do Sul, que hoje em dia existem em boa parte do Brasil, inclusive Campeonato Brasileiro de Turismo com carros 1.6. Você fez um caminho diferente de alguns pilotos no Brasil, que já saem do kart direto para a stock Light. Você vê essas categorias de marcas como uma possível escola para os jovens pilotos que acabaram de sair do kart?

VG – Realmente eu vejo hoje que foi um caminho bem diferente dos pilotos que vão chegando na stock, que fazem sempre esse caminho da Stock Light ou uma categoria brasileira super conceituada já. Então pra mim sim, a escola do 1.6 foi super importante. Até porque com 16 anos eu já ganhei um campeonato sem ganhar nenhuma corrida, um campeonato com quase 40 carros, um campeonato bem difícil. Então foi uma grande surpresa pra todo mundo.

Com certeza eu e minha dupla, o Pierre Ventura, nós fomos os azarões do campeonato ganhando o campeonato sem vencer nenhuma prova. Então foi nessa hora que eu percebi que a regularidade era uma das coisas mais importantes. Pra tu ver como isso serve de escola, e dali eu fui campeão no ano seguinte e assim eu consegui ganhar 4 campeonatos regionais Gaúcho de marcas 1.6. O porquê eu fiz esse caminho? Foi simplesmente por uma questão de preço, de custo. Hoje pra gente fazer uma temporada de Stock Ligth em uma equipe competitiva a gente vai gastar perto de uns novecentos mil reais.

Enquanto em um campeonato regional de Marcas vai custar muito mais barato né, talvez se tu tiver oito mil reais pra fazer uma prova tu já tá correndo e não é em uma equipe ruim, esse as vezes é o preço pra se fazer uma corrida regional. Obviamente que o campeonato brasileiro vai custar um pouco mais, mas não se compara com os preços da Stock. Obviamente que quem tem condições é muito melhor ir para a ligth, você já vai estar treinando com pneu slick, já vai estar focada em um futuro nessas categorias grandes.

O marcas as vezes pode não dar aquela mesma reação do pneu slick. Mas por outro lado tu tá correndo, tá disputando posição, e se tu tiver a coisa no sangue com certeza tu pode aprimorar bastante a técnica. Mas eu acredito que trabalhando hoje quando a gente fala em categoria escola, eu trabalhei muito como coach ano passado e eu percebo que é muito mais fácil a gente encurtar esse caminho. Eu se tivesse uma pessoa como eu faço para outros, dando dicas e falando o que eu to fazendo de diferente que poderia ser mais rápido, facilitaria muito ainda mais uma transição desse de pneu radial para pneu slick.

Com certeza o automobilismo foi mudando, mas mesmo assim eu acredito que regionais com baixo custo serve muito bem para quem quer começar e que não tem a verba necessária para chegar em uma categoria tão grande como as que estávamos falando.

Campeão Marcas e Piloto 2005 (acervo pessoal)

PV – Além do Kart e do Campeonato de Marcas, quais outras categorias você já andou? Dentre todas elas, qual foi a que você mais sentiu prazer em guiar?

VG – Além de kart e Marcas eu andei em vários outros campeonatos, fui campeão brasileiro de endurance em 2007. Em 2008 fui pra pick-up racing que era uma das categorias da Stock Car quando estava entrando o chassis tubular, que foi um ano muito interessante pra mim. Foi quando eu comecei a aprender a mexer com telemetria – algo que se fez muito necessário – até porque estava com uma equipe nova, eu precisava junto da equipe entender o que estava acontecendo ali no carro. Então eu era o telemetrista e o piloto da equipe.

Foi um ano muito legal de muito aprendizado, apesar de ter sido super difícil e infelizmente os resultados não vieram. E até ali meu pai me ajudou muito, ele batalhou para fazer aqui ali possível, tirou muito dinheiro do bolso e foi até ali que a gente conseguiu ir com os próprios passos. 2009 voltei pro Marcas até porque o dinheiro tinha acabado, em 2010 fiz mais alguns campeonatos nesse mesmo estilo, mais algumas corridas de endurance. 2011 apareceu o campeonato Mini Challenge que eu já fui vice-campeão no primeiro ano correndo em dupla e no ano seguinte, 2012, correndo sozinho eu fui campeão com três provas de antecedência, algo que foi muito especial.

Ai em 2013 eu tive a opção de fazer ou um ano inteiro de Stock Ligth (mas eu tava sentindo que a Stock ligth estava muito difícil), ou tinha a opção de fazer meio ano de Stock Car. Então eu fechei meio ano de Stock Car com patrocinadores que entraram na época dos Mini, e foi interessante porque no meio do ano eu consegui fechar para disputar a temporada completa até o final de 2013 e aquilo ali abriu a porta, entraram outros patrocinadores com lei do incentivo ao esporte, e isso foi muito legal porque começou a entrar vários anos de Stock Car e eu fui ganhando muita experiência.

E eu costumo dizer que é muito difícil para um piloto, por maior que seja o preparo dele, chegar na Stock e achar que é tranquilo. O salto da Stock Car é muito grande, poucos pilotos estão preparados para isso. O choque de realidade de tudo que eu já tinha vivido de todos os campeonatos que eu já tinha ganho e quando eu cheguei na Stock foi grande, eu andava bem atrás do pelotão.

Hoje eu já consigo entender que foi por uma questão financeira, de equipe da questão de inexperiência não só minha mas essas coisas vão fazendo a gente evoluir. Então hoje eu acredito que sou um piloto muito pronto depois desses seis anos de Stock Car que eu fiz, muito porque passei por todas as fases: sendo equipe com menos verba, por equipes medianas até conseguir uma vitória.

Inédito para um gaúcho, por enquanto sou o único Gaúcho a vencer uma prova da stock car. E completando, com toda a certeza a categoria mais prazerosa foi a Stock Car, um carro mais prazeroso é muito legal estar dividindo a pista com pilotos experientes. Tu sabe que vai entrar em três numa curva jogando duro e a probabilidade dos três saírem “ilesos” da curva é muito grande, apesar de jogarem bem duro, mas são todos muito profissionais.

2008 estreia Pick-up Racing (DUDA BAIRROS)
2012 Campeão Mini Challenge (DUDA BAIRROS)
Equipe Gramacho estrei stock car em 2013 (DUDA BAIRROS)
Londrina etapa stock car 2018 (DUDA BAIRROS)

PV -Em 2019 você participou do Brasileiro de Endurance (provas de longa duração de 3 horas a 6 horas), categoria muito tradicional no Rio Grande do Sul, e que ultimamente vem crescendo forte no restante do Brasil também. Conta um pouco da sua história com esse tipo de competição aqui no Brasil.

VG – 2019 foi um ano legal porque eu entrei no brasileiro de endurance contratado pelo Juliano Moro, então eu fazia a estratégia de um dos carros, fazia telemetria, ou seja participava realmente da organização da equipe. E como os carros tinham que ser testados antes de ir pras corridas e eu já estava aqui no Rio Grande do Sul, sendo que boa parte dos pilotos não estavam, eu comecei a testar todos os carros. Então eu tive uma experiência enorme nesse protótipo AJR porque eu andei em quatro deles durante o ano inteiro.

E durante esse ano de 2019 alguns pilotos não puderam estar presentes em algumas corridas ,o que acabou fazendo eu guiar o carro, que era o que eu realmente estava querendo ali (risos), e em uma dessa corridas foi muito legal porque acabamos fazendo a pole, mesmo com um carro que o acerto tinha bem menos velocidade de reta, mas mesmo assim a gente fez a pole. Foi muito legal, essa experiência me ajudou a entender a complexidade que é administrar uma equipe. Muitas vezes o piloto reclama de algumas coisas, mas não tem nem noção da dificuldade que é ter ali um pneu certo na hora certa, porque tem que montar o pneu bem antes e ter todos os mecanismos ali organizados na hora certa. Então isso foi muito interessante, poder participar um pouco disso com certeza me ajudou como piloto a entender um pouco mais o que a equipe precisa que eu fale, como piloto em si.

Com relação a experiência nesse tipo de competição, já ganhei quatro 12 horas de Tarumã e sou um dos pilotos que mais venceu essa corrida. Corridas de endurance eu tenho um carinho especial, apesar de que eu goste mais de corridas de bateria que as vezes tem mais competitividade e uma disputa de posição mais acirrada. Mas essa parte de estratégia eu acabei aprendendo muito bem nesses anos, desde lá na época do kart. Então eu levo jeito pra essa parte de estratégia, organizar paradas, ordens dos pilotos, essas coisas.

Vitória nas 4hrs de CURITIBA com o protótipo AJR (Bruno Terena)
Vitória das 12hrs de tarumã em 2005 (blog pitlane)

PV – No Endurance você andou com um protótipo AJR, fala um pouco desse carro. Hoje em dia ele é um dos – se não – o carro com maior tecnologia no Brasil certo?

VG – É um carro incrível, além do carro fazer muita curva e nas curvas de alta ser mais impressionante ainda (porque o carro tem uma carga aerodinâmica enorme) ele também tem um motor muito forte. Por exemplo, um carro que eu andei e tinha um motor similar ao do AJR em questão de potencial é o Stock Car, o Stock toma mais ou menos 12km/h de diferença na reta entre os protótipos, então o protótipo é um carro impressionante.

Eu talvez seja um dos pilotos que mais esteja chegando perto do limite do carro pelo fato de que eu andei em quatro deles durante todo o ano. É um carro que desafia muito a saber que o limite sempre ta ali um pouquinho mais a frente. Mas com freio de carbono ele para muito bem, Juliano (Moro) desenvolveu uma asa móvel para esse carro que, diferente da usada na F1, a gente pode usar a hora que quiser, assim usando em vários pontos da pista.

Nas retas por exemplo a gente ganhou até 8km/h, que é muito impressionante. Em cavalos para transformar isso em velocidade, teríamos que ganhar 30, 40 cavalos ou até mais. Então é algo super impressionante, o carro é incrível em todos os sentidos. É um carro com câmbio sequencial, tem direção elétrica com regulagem de força, porque como ele é um carro muito rápido precisa ter esse ajuste fino e o volante tem que estar muito na tua mão, se não falta confiança para o piloto entrar rápido em uma curva de alta. Explorando todo o limite que o carro pode atingir.

Protótipo AJR #88 (CINTIA AZEVEDO)
Protótipo AJR #88 (acervo pessoal)

PV – Ainda em 2019 você fez os testes com o novo projeto da Stock Car. Você pode falar um pouco a respeito, dar a sua impressão do novo carro?

VG – Eu fui o piloto oficial de testes da Stock em 2019, e o carro provavelmente vai virar um pouco mais lento. A gente ainda não sabe exatamente quanto mas isso é devido o peso dele. É um carro com a carroceria praticamente toda de lata, a maior parte da carroceria do carro vai ser de lata, as portas não abrem mais para cima abrem para os lados igual a um carro de rua. Então ele se assemelha muito a um carro de rua na maneira estética.

Por dentro ele continua muito parecido com o Stock atual, ele continua com um chassi praticamente igual, só mudou um pouquinho o entre-eixos que diminuiu em praticamente 50 milímetros. O que acaba sim fazendo com que mude algumas reações do carro, como por exemplo: ele fica melhor em uma curva de baixa velocidade, mas tem uma dificuldade maior em uma curva de alta. Mas a base do carro é muito parecida, mudou poucas reações devido às alterações do carro e também deu pra sentir que ele não freia tão dentro por ser um pouco mais pesado, então tem que frear um pouco antes. Basicamente é isso.

Projeto 2020 stock car (DUDA BAIRROS)

PV – Vitor, um piloto com um currículo tão grande no automobilismo nacional como você, tem várias vitórias ao longo da carreira. Dentre todas essas vitórias, qual foi a que te deixou mais emocionado?

VG – Com certeza a vitória que mais marcou e que mais me emocionou foi a minha vitória na Stock Car. Eu já vinha buscando ela por muitos anos e sabia que ela tava chegando perto, e foi logo em Cascavel, uma pista que desde o meu primeiro ano eu andei bem, uma pista que eu já quase tinha feito uma pole, fiz um segundo lugar em uma classificação, o Cacá (Bueno) que ficou com a pole por detalhe.

Então já era uma pista que eu já vinha andando bem a anos e logo nela veio a tão sonhada vitória na Stock. Vitória gaúcha, até então a única conquistada por um piloto gaúcho, então isso da um orgulho em representar meu estado nesse ponto. Então com certeza foi uma vitória emocionante, tanto que ela gerou uma tatuagem, eu tinha feito uma promessa que a primeira vitória na stock ia virar uma tatuagem. Ainda não tinha nenhuma mas essa não tinha como escapar (risos) afinal promessa é dívida.

Comemoração da vitoria em Cascavel pela stock car (Anderson Fetter)
Tatuagem do traçado de Cascavel. (acervo pessoal)

PV – Sobre 2019 qual seu balanço do ano que você teve no automobilismo?

VG – Em 2019 mesmo não andando uma temporada completa, foi uma ano importante, porque foi um ano que eu comecei a viver do automobilismo de fato. Então atualmente eu vivo do automobilismo, vivo para o automobilismo e é isso que eu gosto de fazer e é isso que eu quero continuar a fazer. Mas com certeza quero estar atrás do volante. Por mais que eu goste de ensinar e goste de passar conhecimento.

Atuando como coach em Campo Grande (acervo pessoal)

PV – E pra finalizar, quais são os planos para 2020? Alguma novidade pra gente?

VG – O meu 2020 ainda tá bastante incerto. Mas apesar de estar bastante incerto, meu objetivo é muito claro: eu procuro fazer esse ano menos finais de semana de corrida. Eu fiz 31 finais de semana de corrida em 2019, foi bem puxado. E eu pretendo correr em um ou dois campeonatos completos tentando disputar o título, um deles é o Brasileiro de Endurance. Tenho também a possibilidade de andar na Porsche Cup e tenho também a possibilidade de andar na Stock Car. Essas são as negociações que estão acontecendo nesse momento, vamos aguardar para ver o que acontece. Caso realmente eu consiga fechar esses contratos dou uma diminuidinha, afinal em 2019 foram 31 finais de semana. Endurance tá realmente muito perto e os outros planos a gente segue na batalha.

Foto destaque (acervo pessoal)

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