Entre Pits Stock Light

Entre Pits #13 – Gabriel Lusquiños

Dando continuidade em nossas entrevistas com grandes nomes do passado, presente e futuro do automobilismo brasileiro, hoje temos a imensa satisfação de apresentar o super bate-papo com o piloto Gabriel Lusquiños – que correrá pela equipe W2 na Stock Ligth – que nos mostra a importância de saber o que se quer no esporte que amamos.

Foto ArquivoPessoal/Gabriel Lusquiños

Planeta Velocidade – Pra gente começar, quem é o Gabriel Lusquiños? Como você começou no automobilismo?

Gabriel Lusquiños – Cara, o Gabriel Lusquiños é uma pessoa muito tranquila, focada, não bebe, não fuma. Vive a vida atrás do seu maior sonho: o automobilismo. Eu comecei nos karts, como a maioria dos pilotos, aos 10 anos de idade. Mas até os 17 anos (ano em que participei do meu primeiro campeonato) eu levava isso como hobbie e nunca pensei em competir, sequer chegar aonde eu cheguei hoje em dia.

Foto ArquivoPessoal/Gabriel Lusquiños

PV – Quais as categorias que disputou e como é a adaptação entre carros diferentes?

GL – Como eu disse, comecei nos karts, corri muitos anos de 125cc 2T. Em seguida fui para a Fórmula 1600, primeiro carro de corrida que guiei na minha vida. Fui campeão da Copa do Brasil de F1600 2015 e corri mais meio ano lá até migrar pra Sprint Race na segunda metade de 2016. Fiz a temporada completa da Sprint Race em 2017, terminando o campeonato em quarto lugar, com 3 vitórias e 10 pódios. Naquele ano tive a chance de testar e fazer uma corrida de Brasileiro de Marcas, sem dúvidas um dos carros que mais gostei de guiar até hoje. Em 2018 migrei para a Stock Light e esse ano estou indo para meu terceiro ano seguido na categoria. Em 2019 ainda tive a chance de fazer uma etapa do Endurance Brasil, guiando uma Mercedes CLA 45 AMG, minha primeira experiência com um carro tração 4×4. Confesso que nos primeiros anos de carro de corrida, tinha mais dificuldade de me adaptar a carros diferentes, uma vez que não tinha tanta experiência. Mas o fato de ter tido a oportunidade de guiar os mais diferentes tipos de carros nesses últimos 6 anos desde que migrei do kart, me ajudaram a cada vez mais me adaptar mais rápido a um carro novo. Outra ferramenta muito importante que utilizo quando vou experimentar um novo carro é o simulador, que por mais que não seja perfeito, ajuda a dar uma boa dimensão do que esperar.

Foto ArquivoPessoal/Gabriel Lusquiños

PV – Sabemos as dificuldades de iniciar uma carreira de piloto. Como foi pra você e quem mais te deu apoio?

GL – De fato. No meu caso, ainda mais, porque eu comecei tarde se comparado com a maioria dos pilotos. Mas sempre tive o apoio dos meus pais, independente de qualquer dificuldade, para seguir os meus sonhos. Eles sempre acreditaram em mim e nunca mediram esforços para me ajudar a trilhar o meu caminho. São meus verdadeiros heróis!

PV – Qual o momento mais importante da sua carreira até hoje na sua visão?

GL – Eu guardo momentos muito marcantes e emocionantes da minha carreira na minha memória. Mas acredito que o momento mais importante da minha carreira em si, foi a minha transição da F1600 para a Sprint Race, que certamente me abriu muitas portas. Foi naquele momento que eu decidi que o melhor caminho para mim seriam os carros de turismo. E olhando hoje para trás, acredito que foi a decisão certa.

Foto ArquivoPessoal/Gabriel Lusquiños

PV – Cada pista traz uma emoção diferente para o piloto. Dentre as que você correu, quais se destacam e porquê?

GL – Olha, posso afirmar sem sombra de dúvidas que o Velo Città é a pista que mais se destaca. É um traçado muito técnico, com características muito distintas entre as curvas (desde curvas de alta em subida, até curvas muito de baixa, em que você chega a fazer de primeira marcha). Me sinto portanto desafiado correndo lá, o que me anima e motiva ainda mais. Gosto muito de correr em Curitiba, Cascavel e Goiânia também, por causa dos trechos de alta de cada pista.

PV – Ainda sobre os traçados, quais circuitos você tem o sonho/pretensão de correr um dia?

GL – Das pistas de fora do Brasil, tenho muita vontade de correr em Spa-Francorchamps, Le Mans, Barcelona e Daytona. Daqui do Brasil, ainda não tive a oportunidade de correr em Tarumã, que me anima muito porque é do tipo de pista que eu gosto.

PV – A maioria dos pilotos sonha em chegar à Fórmula 1. Acontece o mesmo com você ou tem outras categorias que chamam sua atenção?

GL – Não vou mentir que eu já tive esse sonho também. Mas como eu comecei tarde, chegou um momento na minha carreira que eu tive que fazer uma escolha (como já mencionado), entre seguir tentando carreira nos fórmulas ou no turismo. Acredito que pela minha idade a decisão mais acertada para meu futuro foi o turismo e, novamente, não me arrependo dessa decisão. É claro que a Stock Car é a meta da maioria dos pilotos na Stock Light, mas acredito que outro bom caminho para dar sequência à nossa carreira, é o automobilismo europeu e/ou norte-americano (haja visto o próprio Felipe Fraga).

Foto ArquivoPessoal/Gabriel Lusquiños

PV – Como é a preparação do piloto para a temporada? Tem alguma diferença entre o que se faz durante um campeonato e na época de férias? 

GL – O melhor treino para encarar o ambiente do Stock Light (é muito quente dentro do cockpit, então é preciso ter bastante resistência para se manter focado durante meia hora de corrida lá dentro) na minha opinião é fazer bastante atividade aeróbica, especialmente se estiver quente (correr a pé debaixo do sol, fazer bicicleta dentro da sauna, por exemplo), muito treino psicofísico (método que utilizo nos treinos na Pilotech, para treinar a mente ao mesmo tempo que treino fisicamente, que é o que demanda meu carro), treinos de kart para manter os reflexos em dia e até treinar o físico, por causa da força G que encaramos lá, e muito treino no simulador pra finalizar, que já nos deixa preparados para as pistas em que vamos correr. A minha rotina de treinos não muda entre férias e durante o ano. A única diferença é que eu tenho mais tempo para me dedicar nas férias, uma vez que não temos corrida nesse período e, no meu caso específico, eu ainda tenho a faculdade de engenharia para conciliar durante o ano também.

PV – Você já tem uma boa experiência na Stock Ligth, e esse ano vem numa nova equipe. O que podemos esperar em 2020?

GL – Exatamente. Como já disse antes, acredito que o piloto é a soma das experiências que ele viveu até então nos carros que já guiou. Cada ano vejo uma evolução nova em mim, novos aprendizados e cada vez mais bagagem. Aprendi muito ano passado na Carlos Alves e evoluímos muito na segunda metade da temporada, então espero seguir nessa curva de evolução. Não sou de colocar metas, até porque o automobilismo é um esporte de muitas variáveis, sendo que não podemos controlar a maioria delas. Mas acredito que, dado tudo o que eu mencionei, podemos brigar pelas primeiras posições nessa temporada.

Foto ArquivoPessoal/Gabriel Lusquiños

PV – Quando iremos ver o carro dessa temporada? Terá diferença mecânica ou estética em relação ao ano passado?

GL – Esperamos apresentar o nosso carro de 2020 nas próximas semanas. Mecanicamente, acredito que as principais mudanças estarão no câmbio, que será novo. E se não me engano, aliado a isso, teremos um carro mais potente também. Todo ano temos evoluções na pintura do carro, inclusive acabamos de fechar o layout para 2020 (e eu gostei muito do resultado). Fiquem de olho!

PV – Por fim, você gostaria de deixar algum recado pra galera que acompanha seu crescimento nas pistas?

GL – Gostaria de deixar o meu muito obrigado a todos que cruzaram o meu caminho desde que iniciei minha carreira no automobilismo. Não só àqueles que mais me incentivaram, mas também àqueles que já tentaram me derrubar, pois é assim que crescemos e nos aprimoramos cada vez mais – com as vitórias, mas principalmente com as derrotas. Gostaria de agradecer a você também, Francisco! Pelo espaço no portal e por me permitir contar um pouco mais sobre mim. Então fica aqui meu forte abraço a você e a todos os leitores do Planeta Velocidade!

Foto destaque ArquivoPessoal/Gabriel Lusquiños

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