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Entre Pits #19 – André Duek

Buscando sempre a aproximação de nossos leitores com os personagens do mundo dos esportes a motor, o PLANETA VELOCIDADE, em mais uma edição de sua coluna “Entre Pits” traz hoje um grande personagem brasileiro que se destaca por sua vasta experiência profissional dentro e fora das pistas, mas sempre ligada diretamente ao automobilismo.

Arquivo Pessoal André Duek

Com um conhecimento técnico extraordinário e uma vivência profissional invejável, tivemos ainda a oportunidade de descobrir uma pessoa bastante agradável e de uma simpatia ímpar, tornando nossa conversa ainda mais produtiva e interessante.

Às vésperas do início da temporada de 2020 da Fórmula Indy (que infelizmente foi cancelada pelo Coronavírus), cuja transmissão não será efetuada por nenhuma emissora de TV no Brasil, ele tornou-se definitivamente a voz da categoria para os brasileiros, ao vivo, através da plataforma DAZN, na internet.

Foto Bruno Turano

Segue então a nossa entrevista com o empreendedor, piloto, comentarista e narrador, André Duek:

Planeta Velocidade – Iniciando a entrevista com uma pequena parte de sua biografia, quem é André Duek?

André Duek – Sou André Duek, brasileiro, casado, 47 anos de idade, dois filhos e vivo nos Estados Unidos há quase oito anos. Sou administrador de empresas com pós-graduação em negócios e MBA pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo.

PV – Como e quando foi o seu primeiro contato pessoal com o automobilismo?

AD – Eu sempre acompanhei a Fórmula 1 desde o final dos anos 1970, quando o (Nelson) Piquet começou a correr e o Emerson (Fittipaldi) estava acabando a carreira, e depois me apaixonei pela Fórmula Indy quando o Emerson foi para lá em 84. E Comecei a me envolver diretamente a partir de 1991 que eu acompanhei as corridas nas pistas.

Foto Luca Bassani

PV – Quais categorias e campeonatos você disputou?

AD – Eu comecei a correr 1992 no kart e corri 4 anos, depois corri, em 96, na extinta Fórmula Uno, no Campeonato Brasileiro; 97 e 98 na Copa Fiat Palio; 99/2000 na Stock Car. Depois eu corri até 2003 na Copa Renault Clio; fiz provas em protótipos, categorias como mil milhas brasileiras, fui piloto de teste da Porsche Cup Brasil logo no lançamento e instrutor do Porsche Club Brasil também.

PV – Qual foi o momento mais marcante de sua carreira nas pistas?

AD – O momento mais marcante foi quando eu fui campeão paulista de kart, em 1995, que era um campeonato super disputado e eu consegui vencer no meu quarto ano como kartista. E depois as duas vitórias que eu tive na Stock Car Light em 1999, uma no Rio de Janeiro, no extinto autódromo de Jacarepaguá, e outra em Curitiba. E também uma vitória na Fórmula Fiat na última etapa de 1996 em Curitiba.

PV – Competindo atualmente por hobby, poderia nos dizer quais são as principais diferenças nos preparos físicos e psicológicos de um piloto profissional e um gentleman driver?

AD – Eu acho que é bem fácil responder essa pergunta porque um piloto profissional, com próprio nome diz, leva aquilo como profissão, então ele tem que estar muito focado em cuidar do seu preparo físico, da alimentação, das obrigações dele na equipe, com os patrocinadores, com a imprensa, eventos. E um gentleman driver normalmente não tem esse tipo de compromisso, né? Porque o cara que corre mais por hobby, logicamente, tem responsabilidades com a equipe, com horários, com a parte física principalmente, porque o gentleman driver normalmente é um piloto mais velho, então ele tem que se cuidar com a mesma intensidade de um piloto profissional, porém sem ter nenhuma pressão por resultado, por premiação porque ele não vive daquilo profissionalmente, diferente do profissional que tá sempre tendo que correr atrás de uma equipe, um patrocínio para continuar dando seguimento na sua carreira.

Foto Luca Bassani

PV – Existe alguma categoria ou prova que gostaria de participar no futuro?

AD – Sim! Já bateu na trave duas vezes nas corridas de Endurance da Porsche Cup Brasil. Recebi duas vezes o convite mas, por questões de agenda, acabou não dando certo. Mas espero que em breve eu possa fazer uma corrida lá na categoria do grande Dener Pires, que é um dos melhores promotores do automobilismo brasileiro.

PV – Como se iniciou a sua carreira como comentarista esportivo?

AD – Começou no final de 2009, recebi uma ligação do Luiz Carlos Largo da ESPN, eu conhecia ele desde a época que eu era piloto porque, na época, a Fórmula Fiat era transmitida pela TV Bandeirantes e ele era o narrador, e isso foi há muitos anos, nos anos 90.

E aí no final de 2009, ele me ligou na última etapa perguntando se eu queria comentar a Copa Renault Clio, que era uma etapa em Interlagos. Na hora eu aceitei o convite, primeiro porque era uma categoria que eu tinha corrido, que eu conhecia o carro, conhecia os pilotos, as equipes e principalmente a pista de Interlagos, né, que era minha pista sede – eu sou paulista nascido em São Paulo, e sempre treinei em Interlagos – então aceitei o desafio. Fui lá sábado no autódromo, conversei com todo mundo, tive muita informação técnica, e eu me lembro que a corrida era ao vivo.

Fui lá no estúdio da ESPN, tava super apreensivo, primeira transmissão, lógico, ainda mais ao vivo. Mas eu tinha feito a lição de casa e foi muito bacana e, acabando a transmissão, um diretor da ESPN que tava nesse dia lá na redação gostou da transmissão e eles me contrataram, e aí eu comecei a carreira de comentarista esportivo.

Depois, em 2010, eu recebi um convite do Celso Miranda para comentar a Fórmula Indy no Bandsports, que foi muito bacana também. E aí foram abrindo horizontes: fui comentarista oficial Porsche Cup Brasil; da GT Brasil, que eram os campeonatos de GT3 e GT4; outras categorias, cheguei a fazer participações pro Speed Channel, Rede TV!, Rádio Bandeirantes. Comentei Fórmula 1 na Rádio Globo CBN, a convite do Oscar Ulisses em várias oportunidades, foi muito bacana.

E, recentemente, a um ano recebi o convite para ser narrador no DAZN Brasil, começando com a Fórmula Indy e depois Fórmula 2 também. Foi muito bacana e aqui estamos no meu décimo primeiro ano de carreira.

Foto Bruno Turano

PV – Qual foi o evento automobilístico que você narrou ou comentou que mais lhe emocionou? Por qual motivo?

AD – Foi a etapa do Brasil da Fórmula Indy em 2013, a São Paulo Indy 300. Foi a primeira corrida que eu comentei no autódromo, e foi muito legal, muito bacana, e foi assim uma corrida incrível. Me lembro que o Tony Kanaan tava liderando a corrida e era o sonho dele. Ele estava numa equipe pequena, a KV, tinha acabado de sair da Andretti e era o sonho dele vencer, lógico, no Brasil como todo piloto brasileiro.

E o carro dele deu um problema e parou – se não me engano foi falta de combustível – faltando pouquíssimas voltas e ele ficou super emocionado, chorou. Eu vi a família toda chorando e eu me emocionei junto com eles mas logo depois, 2 meses, ele venceu as 500 milhas de Indianápolis, então nada foi por acaso. Teve o sofrimento e a dor ali naquele episódio em São Paulo, e depois ele conseguiu realizar seu sonho vencendo as 500 milhas de Indianápolis mesmo estando em uma pequena.

PV – Para você, o que representa o fato de ser a nova voz da Fórmula Indy para o Brasil nesta temporada de 2020 que se inicia em breve?

AD – É uma grande responsabilidade, mas também a realização de um sonho. Eu sempre acompanhei a categoria como fã desde os anos 80, a minha primeira viagem para o exterior foi em 1996, onde eu fui acompanhar o Helhinho Castroneves e Tony kanaan quando eles estrearam na Indy Lights, no circuito de Homestead em Miami, então isso vai ser inesquecível.

Trabalhei como agente de marketing esportivo com próprio Helinho e com o Tony na Fórmula Indy, então conheço bastante ali nos bastidores, foi legal essa experiência de estar junto com as equipes na parte de marketing, na parte comercial dos pilotos também, parte de relações públicas que me deu muita experiência e foi muito bacana também. E isso me ajudou, logicamente, a ganhar conhecimento, respeito de todos os lados: da Imprensa; dos jornalistas que sempre me apoiaram; de equipes; pilotos e organizadores, e isso me ajudou bastante a chegar até esse ápice de agora ser narrador da Fórmula Indy no Brasil. Tô muito feliz com isso.

PV – Existe alguma pretensão futura da plataforma DAZN em se juntar a algum canal de tv aberta para transmitir a Indy como faz com outros esportes para os quais detém os direitos de transmissão?

AD – Não sei te responder isso porque não participo dessas negociações. Eu sou um do narrador do canal, tô participando agora de algumas reportagens, fazendo entrevistas, fazendo programas especiais sobre automobilismo, então meu foco e minha atuação é exatamente na questão esportiva e jornalística, eu não participo de partes de negociação de direitos de transmissão.

PV – É fato que além de uma carreira vitoriosa nas pistas e no jornalismo esportivo, você se destaca pelo grande empreendedorismo nos Estados Unidos. Nos fale sobre como é possível administrar os compromissos entre as pistas e os demais compromissos de trabalho?

AD – Primeiramente, quando trabalha com o que você ama, você consegue se organizar e dividir seu tempo entre essas funções. Eu trabalho no ramo imobiliário e tenho uma sócia incrível, que me complementa muito e me ajudou muito a crescer nessa carreira, que era uma carreira nova, foi logo que cheguei aos Estados Unidos, que eu conhecia pouco e que me desenvolvi.

Na parte dos motorhomes também, eu tenho outro sócio que toca o dia a dia da operação da companhia. Os motorhomes vieram da minha paixão, também por automobilismo, e ver os motorhomes nas pistas, foi assim que começou a Duek Motorhomes.

E logicamente, com as corridas eu consigo me dividir, porque normalmente eu trabalho nos finais de semana no DAZN e também na nossa Rádio USA, onde eu apresento um boletim de automobilismo. Então eu consigo me dividir bem durante a semana na parte imobiliária e na parte do motor Homes, e no final de semana na parte de automobilismo como narrador.

PV – Gostaria de deixar alguma mensagem para os leitores o PLANETA VELOCIDADE?

AD – Nunca desista dos seus sonhos! Eu venho de uma infância muito simples, em que o automobilismo era uma coisa muito distante da minha realidade e da família, financeiramente falando. Mas eu sempre fui atrás, assistia as corridas nos autódromos, acompanhando numa época que não tinha internet, então eu comprava todos os jornaizinhos, revistas para acompanhar.

Então a minha paixão sempre foi muito acesa, e eu lutei por tudo que eu quis, né? Desde ser piloto, com ajuda de amigos, depois como comentarista, como narrador, como agente de marketing esportivo. Então tudo é possível, a partir do momento que você tem a paixão em primeiro lugar e colocar muita dedicação, foco e honestidade. Com tudo isso qualquer sonho é possível de ser realizado. Obrigado! Um abraço para todos.

Entrevista feita por Alex Leonello
Revisão Francisco Brasil.

Foto destaque Arquivo Pessoal André Duek

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