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Entre Pits #21 – Reinaldo Varela

Apesar da falta de corridas, o Planeta Velocidade continua a toda velocidade buscando mostrar todas as faces do automobilismo. E nada melhor do que falar com quem entende, não é verdade?

Foto Victor Eleuterio

Por isso trazemos mais uma entrevista super legal com um dos maiores nomes do Rally, tanto no Brasil quanto no cenário internacional. Apresentamos nosso Entre Pits com Reinaldo Varela

Planeta Velocidade – Quando surgiu a oportunidade de entrar no mundo do automobilismo? Como foi o início?

Reinaldo Varela – Eu sempre gostei de carro e de velocidade. Também andava de moto quando era garoto. Comecei nos ralis universitários, de regularidade, ainda nos anos 80. No começo era pura paixão e nenhum dinheiro. Mas eu me apaixonei pelo esporte logo de cara. Nunca mais parei. Conheci minha esposa em um rali. Casamos e tivemos três filhos. Hoje ela é a chefe da equipe e nós quatro pilotamos. Tenho muito orgulho deles, todos são campeões brasileiros, têm muitas vitórias. O rali me deu tudo na vida.

PV – Sua equipe é basicamente uma estrutura familiar com a participação de seus filhos. Como separar a competição da “bronca de pai”? Ou não existe separação?

RV – Pai é pai o tempo todo. Mas basta colocar o capacete que eles esquecem! Eu não tenho muito motivo pra dar bronca. Só quando tentam me passar! (risos) Na verdade, são bem profissionais. E se saem da linha a Nani, minha esposa, coloca eles de volta nos trilhos. Na nossa casa o papo é rali o tempo todo. Mas há muita harmonia e respeito. Sou um cara de muita sorte.

Foto: Divulgação/Can-Am

PV – Seu foco sempre foi no Off-Road? Teve algum momento que pensou em migrar para o asfalto?

RV – Eu cheguei a fazer algumas corridas de pista, bem no começo, mais para experimentar. Mas andar de lado num carro de rali é uma experiência única. Não troco por nada.

PV – Dentre diversas competições fora de estrada que você compete, tais como Cross Country e o Dakar, quais as diferenças?

RV – O Dakar e o Sertões são corridas no estilo Cross Country, mas de grande duração. Eu também disputo o Campeonato Mundial de Rally Cross Country, que tem corridas de quatro ou cinco dias em vários lugares do mundo. Todas estas provas são do mesmo tipo: ralis de longa duração em trilhas, mas pilotos e navegadores são guiados pelas planilhas. Não conhecemos o percurso de antemão. Recebemos a planilha com as indicações do caminho antes da largada. E aí a gente tem que se virar.

PV – Você corre de UTV atualmente. Quais as diferenças desse veículo para os jipes tradicionais?

RV – O UTV é sensacional. Por que ele é veloz, pequeno, muito resistente e você tem sua percepção sensorial bastante ativada por que não há vidros. Som, areia, barro, vento, chuva – é tudo muito presente. Você sente muito mais a corrida, a dificuldade, a emoção. UTV é um vício – e é por isso que é a categoria que mais cresce no mundo dos ralis. O nosso é um Can-Am Maverick X3 turbo. É um bicho raçudo, resistente, que tem vencido as principais competições. Por isso também a maior parte dos UTVs de competição são da Can-Am.

Foto: Divulgação/Divino Fogão Rally Team

PV – Qual o conselho que você daria para quem quer ingressar nesse ramo do esporte a motor? E qual recado tem para seus fãs?

RV – Primeiro conselho: faça tudo com responsabilidade e segurança. Eu já tive vários acidentes e se não fosse muito cuidadoso com a segurança, acho que minha carreira tinha acabado faz tempo. Tem que usar equipamentos homologados e não brincar com isso. Segundo conselho: procure orientação profissional de boas equipes. Vá se informar. Isso vai não apenas te ajudar a aprender e ser competitivo, como também a gastar menos ou gastar de uma forma mais racional. Terceiro conselho: automobilismo é um esporte ingrato. Só tem um vencedor. Há muito mais momentos difíceis do que de vitórias. Então, comemore cada pequena conquista. Dê valor a tudo o que conseguir. Eu fiz isso e não me arrependo. Muito pelo contrário.

Foto destaque José Mario Dias

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