Planeta História

PLANETA HISTÓRIA: As origens e a história da NASCAR (Parte II de III).

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Como havíamos mencionado na parte I da presente matéria, que pode ser encontrada no site do PLANETA VELOCIDADE por meio do link PLANETA HISTÓRIA: AS ORIGENS E A HISTÓRIA DA NASCAR (PARTE I DE III)., depois do final da segunda grande guerra e após muitos planos, projetos e conversas, no dia 14 de dezembro de 1947, no Streamline Hotel, localizado em Daytona Beach, no estado norte americano da Flórida, um grupo de pessoas formado por William France, outros pilotos, mecânicos e donos de carros de competição, iniciaram as tratativas para que os eventos automobilísticos, antes independentes e com grande dose de amadorismo, fossem finalmente organizados.

Estas conversas e planejamentos ganharam força e conquistaram patrocínios, fazendo com que, em apenas 3 meses após aquela primeira conversa, já em 1948, estava criada a National Association Stock Car Auto Race, mais conhecida até os tempos atuais pela sigla de NASCAR!

Justamente por conta de seu patrocínio, esta nova organização automobilística adotou o uso do que chamamos de “naming rights” (concessão de direito de nome) e, sendo assim, começou a ser chamada de NASCAR Strictly Stock Series.

Em que pese atualmente se orgulhar de suas origens, a ideia inicial da presença de antigos contrabandistas de bebidas no grid não era bem vista pelo público e a NASCAR teve que lidar com este tipo de preconceito.

A primeira grande prova finalmente ocorreu no dia 19 de junho de 1949 no Charlotte Speedway, na Carolina do Norte, contando com a presença de cerca de 13.000 espectadores e, ainda, com a participação de 33 pilotos na pista.

Vale lembrar que a corrida foi inicialmente vencida por Glenn Dunaway, que acabou sendo desqualificado por conta de uma modificação ilegal em seu carro, deixando a vitória por conta de Jim Roper (1916-2000).

Aquele primeiro ano contou com apenas 8 etapas, nas pistas de Charlotte – NC, como acima apontado; Daytona – FL (ainda na praia), no dia 10/07, vencida por Red Byron; Hillsborough – NC, no dia 07/08, vencida por Bob Flock; Langhorne – PA, no dia 11/09, vencida por Curtis Turner; Hamburg – NY, no dia 18/09, vencida por Jack White; Martinsville – VA, no dia 25/09, vencida por Red Byron; PittsBurgh – PA, no dia 02/10, vencida por Lee Petty; e North Wikesesboro – NC, no dia 16/10, vencida por Bob Flock.

Note-se que Charlotte, Daytona (no superspeedway) e Martinsville ainda fazem parte do calendário da NASCAR até os dias atuais.

Por conta dos resultados obtidos durante esta curta temporada, o primeiro campeão da NASCAR, naquele ano de 1949 foi Red Byron, que escreveu seu nome há história.

No ano de 1950, e também por conta de patrocinadores, a categoria passou a chamar-se NASCAR Grand National Series, nome este que perduraria até o ano de 1971.

Naquela década de 1950, o primeiro grande carro a se destacar, conquistando nada menos do que 3 campeonatos consecutivos foi o fabuloso Hudson Hornet, sendo 2 (de 1951 e o de 1953) com o piloto Herb Thomas e outro (de 1952) com Tim Flock.

Qualquer semelhança com aquela famosa e belíssima animação da Disney-Pixar, dublada originalmente por ninguém menos que o renomado Paul Newman, não é mera coincidência.

As corridas de Daytona Beach – FL, que ainda se utilizavam da faixa de areia da praia e, ainda da rua pavimentada que a margeava, continuavam a ser a sensação entre os espectadores.

Nestes vídeos raros, dos anos de 1952 (vencida por Marshall Teague) e 1958 (vencida por Paul Goldsmith), é possível ter a exata noção de como eram disputadas as provas naquele local.

O fascínio do público por Daytona era tão grande que William France, em 1953, decidiu construir um superspeedway próximo do local onde as corridas da praia eram realizadas originalmente, em um terreno de 181 hectares cedido pela cidade de Daytona Beach, sendo este o mesmo no qual a NASCAR disputa suas provas até os dias atuais.

Em por falar no ano de 1953, embora alguns digam ser apenas uma lenda, imagens recentes foram encontradas para comprovar a participação de um fusca na etapa de Langhorne Speedway de daquele ano, guiado pelo piloto Dick Hagey.

E o Herbie, coitado, mesmo na ficção, achava que tinha sido o primeiro a andar por estas bandas, com Lindsay Lohan, no ano de 2005!

Inaugurado em 25 de novembro de 1957, este super oval de Daytona passou a sediar o evento da Daytona 500 a partir do ano de 1959, no dia 22/02, onde o piloto que se sagrou vencedor foi Lee Petty, com seu oldsmibile da equipe Petty Enterprises.

Em 1956 a NASCAR muda a sua logomarca, embora ainda mantivesse diversos detalhes que a assemelhavam com a anterior.

No ano de 1957, os diretores da Associação de Fabricantes de Automóveis dos Estados Unidos recomendaram unanimemente que a indústria não participasse de corridas de automóveis que enfatizassem velocidade e potência, gerando transtornos para os competidores.

Lee Petty (pai do gigante Richard Petty) foi o piloto que mais conquistou títulos na década de 1950, com nada menos do que 3 campeonatos da categoria, nos anos de 1954, 1958 e 1959.

Como nem tudo são flores, 7 pilotos perderam suas vidas na década de 50 na NASCAR, sendo eles Larry Mann (em 14/09/1952, no Langhorne Speedway); Frank Arford (em 20/06/1953, no Langhorne Speedway); Lou Figaro (em 25/10/1954, no North Wilkesboro Speedway), John McVitty (em 21/04/1956, no Langhorne Speedway); Clint McHugh (em 09/06/1956, no Autódromo de Menphis – Arkansas);  Cotton Priddy (em 10/06/1956, no Autódromo de Menphis – Arkansas); e Bobby Myers (em 02/10/1957, no Darlington International Speedway).

Finalmente, os grandes campeões daquela tumultuada, porém competitiva década de 1950 foram os seguintes:

Na década de 1960, os grandes muscle cars norte americanos começaram a tomar conta das pistas na NASCAR, tais como o Chevrolet Impala, Ford Galaxie, Plymouth Fury, Dodge Charger e muitos outros que, equipados com motores cada vez maiores, já faziam com que os carros ultrapassassem a marca das 150mph (mais de 240km/h).

Da mesma forma, muitas equipes de fábrica foram surgindo para fazer parte do espetáculo, visando vitórias e, como consequência a divulgação de sua marca e a dos carros que manufaturavam e vendiam ao público.

Surgiu então a conhecida expressão “win on Sunday, sell on mondey” (vença no domingo e venda na segunda).

O número de provas disputadas por temporada aumentou consideravelmente e chegou a incrível marca de 62 etapas, só no ano de 1964.

Após as modificações de regulamento introduzidas pela NASCAR naquele ano de 1963, que limitava o deslocamento do motor dos carros a 428 polegadas cúbicas, ajudando a manter os fabricantes sob controle e evitando que os componentes daquela época se tornassem obsoletos

Em 1964, o logotipo da NASCAR é alterado novamente, mas ainda com referência a alguns de seus traços e desenhos originais.

Naquele mesmo ano a Goodyear passou a ser fornecedora exclusiva de pneus para a categoria, parceria esta que perdura até os dias atuais.

Aproveitando-se das mudanças de regulamento acima mencionada, a Chrysler, neste ano de 1964 lançou e entregou para o Plymouth Sport Fury de Richard Petty (guarde bem este nome), filho de Lee Petty, o motor 426-Hemi, que fez com que este gigante da NASCAR conseguisse atingisse velocidades impressionantes e que eram cerca de 20mph superiores aos dos carros do ano anterior e, sendo assim, faturasse o campeonato daquele ano.

Para se ter uma ideia do ocorrido, a NASCAR, na temporada de 1965, alterou novamente o regulamento que, em verdade e como consequência, simplesmente baniu o uso do motor 426-Hemi e estabeleceu novas regras que visavam reduzir as velocidades e aumentar a segurança.

Tal situação não agradou em nada a Chrysler que, em represália a tal atitude, simplesmente abandonou a categoria, deixando caminho livre para que a Ford obtivesse várias vitórias naquele ano bastante apagado para a Grand National Series.

Mas não durou muito, já na temporada de 1966 a Chrysler estava de volta, trazendo para a categoria um impulso necessário, conquistando novamente o campeonato com o ídolo David Pearson e criando, ainda, um novo espírito de competição junto a mesma.

Richard Petty literalmente dominou a temporada de 1967, onde estreavam os carros da geração 2 da NASCAR, obtendo um recorde de nada menos que 27 vitórias em um único ano, sendo 10 delas consecutivas, marca esta tão importante que perdura até os dias atuais na categoria.

O ano de 1968 testemunhou um dos duelos mais incríveis de sua história, entre os pilotos Richard Petty e David Pearson, tendo este último levado a melhor na conquista do título.

Circuitos como o de Michigan, Texas e de Delaware foram construídos, popularizando e prosperando ainda mais a categoria.

Em 1969, a NASCAR viu a inauguração do Talladega Superspeedway, com 2,66 milhas de extensão no estado do Alabama que, maior do que o oval de Daytona,  emocionou e empolgou o público, como já apontado em uma matéria exclusiva postada aqui no PLANETA VELOCIDADE, que pode ser revista através do link: NASCAR – SWEET HOME ALABAMA.

Veja abaixo o vídeo interessantíssimo e histórico sobre esta primeira prova no superspeedway do estado do Alabama.

Nem todos sabem, mas o campeão mundial de Fórmula 1 de 1978 e campeão da Fórmula Indy de 1984, Mario Andretti, foi piloto da NASCAR entre os anos de 1966 e 1969, onde conquistou nada menos do que a Daytona 500 de 1967.

Alguém consegue encontrar semelhanças, mais uma vez, nesta linda animação da Disney, dublado originalmente pelo próprio Mario Andretti?

As regras e as medidas de segurança ainda eram primitivas e, como já era esperado para aquela época, infelizmente, a morte chegou para alguns outros pilotos da categoria, quais sejam: Joe Weatherly (em 19/01/1964 no Riverside International Raceway); Fireball Roberts (em 24/06/1964, no Charlotte Motor Speedway); Jimmy Pardue (em 22/09/1964, no Charlotte Motor Speedway); Billy Wade (em 05/01/1965, no Daytona International Speedway); Buren Skeen (em 06/09/1965, no Darlington International Speedway); Harold Kite (em 17/10/1965, no Charlotte Motor Speedway); e Billy Foster (em 20/01/1967, no Riverside International Raceway).

Sendo assim, com as muitas alegrias das disputas e das vitórias, mas acompanhados da dura tristeza das perdas, inclusive das vidas acima descritas, no final desta década de 1960, os grandes campeões da NASCAR foram os seguintes:

Alguns leitores devem ter estranhado bastante o fato deste texto ter solicitado acima a lembrança do nome de Richard Petty, com 2 títulos conquistados até então, como diversos outros, mas a explicação disso está por vir e ele estava prestes a se tornar a primeira lenda viva da NASCAR.

A década de 1970 finalmente se iniciava e, com ela, a meu ver, a NASCAR começava a mostrar todo o romantismo que a categoria, como poucas, ainda conseguiu preservar de forma brilhante e eficiente até os dias atuais.

A primeira temporada viu a conquista de um dos grandes nomes da NASCAR, chamado Bob Isaac, com seu DODGE Charger nº 71 que obteve 11 vitórias nas 48 etapas disputadas naquela temporada em que duelou diretamente pelo título com Richard Petty.

Richard Petty aparece com o seu belíssimo Plymouth Superbird Roadrunner nas pistas, que não só o consagrou como também eternizou a sua imagem com o número 43 de seu carro azul.

Notamos aqui mais uma evidente situação em que a arte imita a vida, a mesma animação “Cars”, acima apontada, trouxe para as telas a reprodução deste carro, dublado originalmente pelo próprio rei, como veremos abaixo, Richard Petty.

A guerra entre as montadoras continuava cada vez mais evidente e acirrada nas pistas, e, sendo assim a Dodge trouxe para a NASCAR o seu modelo Charger Daytona:

A partir do ano de 1971 a categoria adquire novo patrocínio e passa a se chamar NASCAR Winston Cup Series, em uma época em que a propaganda da indústria do tabaco ainda não era considerada como politicamente incorreta.

A partir deste mesmo ano de 1971, Richard Petty começava a reforçar o seu nome na história da NASCAR, ganhando a Daytona 500 pela terceira vez na sua carreira.

A bem da verdade, Richard dominou nada menos do que a metade das temporadas da década de 1970 e faturou os campeonatos de 1971, 1972, 1974, 1975 e 1979, atingindo assim a marca histórica de 7 títulos na categoria, algo nunca visto na história da NASCAR e que lhe rendeu o já mencionado e justo e já mencioando título de “the king” (o rei).

Outra lenda que surgiu neste período e que jamais poderia deixar de ser lembrado foi Cale Yarborough, que conquistou os campeonatos de 1976, 1977 e 1978

Em 1974 acontece a chamada crise do petróleo norte americano e, para tentar auxiliar na economia de combustível, a duração das provas foram reduzidas em 10%, além de outras alterações significativas nos motores dos carros para tal finalidade.

No ano de 1976 a NASCAR moderniza e atualiza seu logotipo, apresentando-o ao público em um formato absolutamente diferente daqueles anteriores.

Para a informação do público sobre as corridas, as emissoras de TV norte americana CBS e ABC faziam compactos das corridas da NASCAR, com cerca de 15 a 30 minutos cada um, e os transmitiam em reprise durante seus programas esportivos.

Contudo, em 1978, a emissora CBS celebrou contrato com a NASCAR para a transmissão ao vivo de 3 provas da temporada de 1979, quais sejam, a Daytona 500, Michigan e Talladega.

Assim, no dia 18 de fevereiro de 1979, pela primeira vez na história, uma prova da então  Winston Cup era transmitida ao vivo para todo o país, justamente na Daytona 500 que abria o campeonato.

Com uma audiência absolutamente fenomenal, o que o público assistiu foi automobilismo em sua mais pura essência, com duelos inacreditáveis e várias disputas por posições, inclusive pela liderança, entre os pilotos Donnie Allison e Cale Yarborough.

Depois de tantos toques ambos acabaram indo direto para o muro, jogando por terra as suas chances de vitória.

Não satisfeitos, os pilotos, já fora de seus carros partiram para a briga ainda na pista, trazendo à vida uma das cenas mais icônicas da NASCAR.

Algum tempo depois do ocorrido, com o incidente já superado, ambos os pilotos se reuniram em entrevista a uma emissora de TV dos Estados Unidos, onde não só se colocaram como amigos como também deram muitas risadas ao reverem e relembrarem da situação da qual foram os grandes protagonistas.

As cenas da disputa que resultou no acidente, e também da verdadeira luta de MMA que se viu na pista podem ser acessadas por meio do vídeo abaixo:

Com a saída dos dois primeiros lugares da corrida, a liderança e, por consequência, a vitória, caiu no colo do rei Richard Petty, com seu Chevrolet Monte Carlo nº 43 que o levou, ainda a conquista do campeonato daquele ano.

Caso o nobre leitor, assim como nós do PLANETA VELOCIDADE, seja um apaixonado que não gosta de perder detalhes, segue abaixo o vídeo contendo esta Daytona 500 de 1979 na íntegra, sinalizando desde já o meu sincero pedido de desculpas pelos spoilers que dei no texto acima:

Uma queda significativa (e positiva) do número de acidentes fatais foi observada ao final desta década, onde apenas 4 pilotos foram vitimados, quais sejam Talmadge Prince (em 19/02/1970, no Daytona International Speedway); Friday Hassler (em 17/02/1972, no Daytona International Speedway); Larry Smith (no dia 12/08/1973, em Talladega); e Tiny Lund (no dia 17/08/1975, em Talladega).

Embora já tenham sido mencionados em sua quase totalidade, os campeões desta década de 1970 foram os seguintes:

Assim, como já mencionado acima, a década de 70 encerrou-se com a conquista do último campeonato por parte de um piloto que havia acabado por se tornar uma verdadeira lenda viva para a NASCAR, qual seja, Richard Petty.

A década de 1980 que ainda se iniciava não faria por menos, trazendo consigo, logo de cara, o primeiro campeonato de outro grande piloto que se igualaria em número de títulos conquistados pelo rei.

Contudo, este é um assunto a ser tratado na parte III desta carinhosa matéria.

Sendo assim, mantenham-se atentos, pois nosso próximo encontro não tarda a acontecer.

Até lá!

Alex Leonello Teixeira

Twitter: @alexleonello

Fonte: Divulgação/Internet

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