Planeta História – O magnífico Peugeot 905


A partir de hoje iremos dar início a uma série de matérias que irão falar um pouco sobre alguns dos carros de corrida mais fantásticos dos anos 80 e 90, em especial os carros que participavam do extinto Grupo C da FIA – hoje WEC – que inspiraram uma legião de fãs mundo afora.


Para iniciar com chave de ouro, vamos começar por um bi-campeão das 24 Horas de Le-Mans e que ficou marcado na história como um dos carros mais rápidos que já passaram por Sarthe: o Peugeot 905.

Com o fim do Grupo B e a ascensão do Grupo C que era a categoria queridinha das montadoras na época, a FIA a fim de estimular a entradas de novas companhias ao grid, modificou as regras do Mundial de Endurance abandonando a regra que permitia carros turbinados com aproximadamente 900 cv e optando agora pelos aspirados de 3,5L em um movimento que trouxe a motorização da categoria para algo muito similar que a própria Fórmula 1 usava.

A Peugeot usou o braço esportivo Talbot e desenvolveu o belo 905.

A Peugeot viu isso como uma grande oportunidade e já em 1990 começou a trabalhar em um novo projeto para sua entrada no mundial. Trabalhou então em conjunto com a francesa Dassault Aerospace (sim a mesma que projetou os aviões Mirage!) que desenvolveu uma carroceria em fibra de carbono enquanto a Peugeot começou a trabalhar em um motor V10 de 3,5l feito em alumínio o que o deixava mais leve. Com seu conjunto de válvulas duplo e ainda com quatro válvulas por cilindro que desenvolvia 650cv a 12500 rpm. A Peugeot ainda viu a oportunidade de utilizar o bloco do motor como parte estrutural do chassi, o que possibilitaria uma otimização aerodinâmica ao modelo que traria uma eficiência encontrada somente nos carros de Fórmula 1! No final o carro de 750kg ainda ficou pronto a ponto de participar de algumas provas ainda em 1990 mesmo que em caráter experimental para a temporada seguinte.

Grande expectativa no início, um fiasco no final da prova da edição de 1991

Como esperado o carro enfrentou problemas de confiabilidade, pois como todo o projeto novo, ainda havia muitos ajustes a serem feitos e com isso o trabalho na montadora foi árduo enquanto ainda buscavam uma forma de refinar sua obra prima. Então para 1991 com um motor que fora melhorado e que agora rendia 670cv a Peugeot então foi para Sarthe para a disputa das 24 Horas de Le Mans sendo então a única equipe de fábrica que entrará na competição seguindo os novos regulamentos. Por conta de uma reclamação geral das equipes privadas que desistiram de participar da corrida por conta dos custos envolvidos no novo regulamento, a FIA por motivo de força maior com o receio de contar com um grid reduzido na principal categoria da categoria (imagina hoje o receio dela), autorizou o uso dos carros do Grupo C na corrida, porém estes sofreriam uma penalização nas posições de largada

Porém o resultado final foi muito ruim, com ambos os carros abandonando a prova e ficando na 32ª e 36ª posições no resultado final. Mas apesar de ter sofrido um enorme baque em plena casa, a Peugeot não desistiu e continuou a desenvolver o carro, pois o potencial que a empresa creditava ao modelo era enorme. De certa forma, mesmo com o mico em Sarthe no restante do ano o carro se mostrou melhor e ficou com o vice-campeonato mundial de 1991 mesmo não sendo páreo para o Jaguar XJR-14 de Teo Fabi.

Para 1992 o modelo agora rebatizado de 905B sofreu grandes mudanças em comparação ao modelo do ano anterior. Uma carroceria reprojetada, problemas mecânicos revistos e sanados e ainda, contou com uma debandada dos seus maiores concorrentes em 1991 por conta do impedimento de usar os modelos até então utilizados nas provas do ano de 1992. Para se ter uma ideia, para 1992 a Peugeot e a Toyota com seu TS-010 foram as únicas equipes de fábrica que participaram naquela edição da prova. Enquanto isso as outras montadoras aproveitaram o regulamento para motores um parecido com o do Mundial de Endurance que a Fórmula 1 tinha e com isso houve uma migração de montadoras como por exemplo a Mercedes-Benz que juntamente com a Sauber foram para a Fórmula 1. 

A Peugeot dominou a edição das 24 Horas de Le-Mans de 1994

Em 1992 existindo uma competição real somente entre duas montadoras, a Peugeot então levou a melhor sobre a Toyota e levou a edição de 1992 com os pilotos Derek Warwick, Yannick Dalmas e Mark Blundell enquanto a  Toyota chegou em segundo mas com 6 voltas de desvantagem com o trio Masanori Sekiya, Pierre Raphael e Ken Acheson. Outro carro da Peugeot chegou em terceiro com 7 voltas de atraso para o líder com o trio Mauro Baldi, Philippe Alliot e Jean-Pierre Jabouille. No final do ano ainda conquistou o título mundial do campeonato de endurance da FIA.

Com o desinteresse do público pela categoria, somado a uma quantidade de equipes insatisfeitas com os rumos da categoria e ainda, uma quantidade de carros obsoletos disputando provas, a FIA então resolveu que em 1993 não haveria uma edição do campeonato mundial de endurance, terminando então ali uma competição que existia desde 1953. Mas a edição das 24 Horas de Le Mans foi mantida, com a autorização da FIA que mesmo sem o campeonato realizado com sua chancela, as provas de 1993 e 1994 poderiam ocorrer normalmente. 

A Peugeot chegou a testar uma versão melhorada apelidada de 905 Evo 2 porém ela decidiu correr mesmo na edição das 24 Horas de Le-Mans com o modelo anterior. Com um refinado carro dominou a edição da prova com seus carros chegando às três primeiras posições na bandeirada final com o quarto colocado naquele ano, uma Toyota TS-010 chegando 11 voltas atrás do vencedor daquela edição da prova.

Ao final do ano, a Peugeot então decidiu se aventurar na Fórmula 1 em um movimento feito por outras montadoras nos anos anteriores que se aproveitaram do regulamento da categoria máxima do automobilismo para utilizarem seus motores por lá. A Peugeot então se uniu com a McLaren para 1994, porém o que se viu fora um fiasco com vários abandonos e cenas pirotécnicas de motores explodindo ficando marcadas durante o único ano da parceria. Para 1995 então a montadora se uniu a Jordan com a qual permaneceu até 1997. Entre 1998 e 1999 perambulou por equipes de final de grid até que em 2001 decidiu de vez abandonar a Fórmula 1 e se concentrar novamente no rally onde marcou época nos anos 80. Também se uniu a Henry Pescarolo e sua equipe para seguir então nas edições das 24 Horas de Le Mans a partir de 2003 até que em 2007 voltou a ter uma equipe oficial de fábrica onde fez dobradinha para levar a edição de 2009 da mais tradicional prova do automobilismo mundial. Nesta etapa a montadora francesa participou do mundial até 2011.

O passado eo futuro da Peugeot em Sarthe

Agora para 2023 com o novo regulamento Hypercar do WEC a Peugeot voltará à categoria máxima de e

 

Renato Moraes

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Renato Moraes

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