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Stock Car: Recursos de Thiago Camilo (Goiana) e Ricardo Zonta (Velo Città) serão julgados hoje no STJD.

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Tanto a corrida 2 no Velo Città, vencida por Ricardo Zonta, quanto a corrida 1 em Goiânia, vencida por Thiago Camilo, terão julgamento de recursos no final desta tarde.

Em ambos os casos, a “vitória” dos pilotos havia sido “tirada” bem após a cerimônia do pódio, estas punições foram comentadas num vídeo que pode ser acessado neste link: VIDEO: STOCK CAR – QUEM VENCEU A CORRIDA 1 EM GOIÂNIA?

Como no próprio vídeo citado, e em outros casos, as críticas automaticamente recaem sobre a CBA e os fiscais responsáveis em cada caso, porém, nos últimos dias apuramos que não é bem assim, em defesa da entidade, estão algumas manobras por parte dos envolvidos, que se não exime totalmente a entidade, pelo menos explica em partes a demora na tomada de ação.

Caso Thiago Camilo:

Embora não explique o fato da não punição imediata do carro 21 já na largada, pois o posicionamento deste estava totalmente em desacordo com o que foi “combinado” durante o briefing, e isso já demandaria, ou um novo procedimento de largada, ou a punição com um drive thru, ainda durante a corrida, o que não aconteceu. Em sua defesa, os comissários responsáveis pela verificação do procedimento de largada, relatam que, entenderam não bastar as imagens externas da largada, e que precisariam da câmera onboard do carro 21, para um julgamento mais correto. Daí pra a frente o que aconteceu todos sabemos, a demora na decisão, talvez por excesso de zelo, fato é que a punição de Thiago Camilo só veio horas mais tarde.

Procuramos a CBA, que em nota, reforça seu entendimento quanto à punição “tardia” ao carro 21:

“Punição Thiago Camilo: Identificou-se que o piloto Thiago Camilo não obedeceu ao alinhamento correto no procedimento de largada, conforme instrução passada no briefing anterior `a prova. A decisão só foi tomada após a corrida, pois houve um entendimento de que só se poderia ter certeza da necessidade da punição após visualização das câmeras onboards do carro 21 e daqueles que estavam atrás dele”.   

Abro aqui um parêntese para questionar se os comissários podem simplesmente ir até o carro e retirar a câmera, ou deve-se solicitar esta câmera à equipe, e se é a segunda opção, teria a equipe se recusado a entregar? Ou pelo menos demorado a entregar? Este fato não está bem claro e explicaria a demora em horas para a ser aplicada a punição. Explica, mas não justifica, ao meu ver, a punição deveria ser dada já no início, com base no ponto de vista dos comissários, não da visão do piloto, pois ainda que houvesse a dificuldade de se enxergar as marcações na pista, é indiscutível que o próprio posicionamento mais à esquerda da pista já denunciaria a irregularidade, ou o piloto do carro 21 não conseguiu naquele momento entender seu próprio posicionamento na pista? Se assim fosse, não teria tangenciado nem mesmo a primeira curva sem esse senso de posicionamento.

Para finalizar, o recurso imposto pelo piloto e a equipe, coloca a demora na punição como justificativa, indicando que houve dúvida por parte dos comissários, porém se realmente houve demora no fornecimento da câmera do carro 21, tal justificativa já se dilui.

Caso Ricardo Zonta:

Este sim ainda mais complicado, pois envolve uma questão técnica, mas com o mesmo atraso na decisão, que só veio a público quase duas semanas depois e por uma falha na comunicação interna da entidade. O prazo para sabermos da punição do carro 10, e com isso a perda da vitória (se é que este termo existe) na corrida 2 no Velo Città, poderia ser ainda mais longo, porem um dos membros da CBA acabou citando a punição à Ricardo Zonta durante o briefing da corrida de Goiânia, o que imediatamente desencadeou uma serie de reclamações, algumas até mesmo colocando em cheque a própria VICAR, que nada tem a ver com punições. Ricardo Zonta chegou a marcar uma entrevista coletiva, nos boxes da TMG Shell V-Power Racing, onde apareceu ao lado de Thiago Meneguel, chefe da equipe, ameaçou inclusive abandonar a categoria.

Toda a indignação e aparente surpresa com a punição, num primeiro momento deu um ar de injustiça ao caso, e uma falsa impressão de que a equipe só teria sido avisada da punição naquele momento, e pior, através de boatos durante um briefing.

Mas não é bem assim que as coisas funcionam, nos últimos dias conseguimos apurar que o procedimento, quando se detecta uma inconformidade técnica em qualquer componente de um carro, durante o regime de parque fechado, a equipe é imediatamente informada. No caso do carro 10 da TMG, a irregularidade estava nas pinças de freio, conforme explica a CBA em nota que segue:

“Punição Ricardo Zonta: Durante a vistoria técnica foi evidenciado que dois componentes internos das pinças de freio, dianteiro e traseiro, do carro número 10, do piloto Ricardo Zonta, tinham características diferentes das peças originais e unicamente permitidas conforme determinação pela Ficha de Homologação e Catalogo de Peças. Tal situação infringe o Artigo 16.3 do Regulamento Técnico da Categoria. Estas peças devem permanecer sem nenhum tipo de retrabalho e nenhum tipo de alteração dimensional. Nos pistões das pinças haviam evidencias de retrabalho na superfície e os anéis de vedação dos pistões possuíam dimensões diferentes das peças originais. A conclusão da analise realizada foi de que houve irregularidade técnica pelo uso destes componentes”.

Pois bem, ao apurar o procedimento de analise destas peças, descobrimos que cada componente retirado dos carros para analise fora da pista, exige que tal peça seja lacrada na presença de algum representante da equipe, e que a abertura deste lacre e análise mais aprofundada da peça, seja feita também na presença de um representante da equipe. O mesmo se deu neste caso, porém, convocada, a equipe não compareceu na hora e data marcada para a análise das pinças, ao invés disso passaram a contestar algo que ainda nem se havia concluído pois a própria TMG se negou a mandar representante para acompanhar o procedimento. Nestes casos, quando a equipe se recusa a acompanhar a análise de uma peça, tal vistoria é feita “à revelia”, mas com o devido cuidado de gravar todo o procedimento. Após analisadas as pinças, constatou-se a infração que vimos acima.

Toda a demora em tornar pública a punição, hoje sabemos, se deu em partes pela própria TMG ter tentado, ainda que de forma legal, impedir ou retardar as analises, e mesmo após constatada a irregularidade ainda busca em recurso uma reversão da punição e com isso a recuperação dos pontos de Ricardo Zonta.    

 Por tanto, desde a desmontagem do sistema de freios do carro 10, até o “vazamento” de que Zonta seria punido e perderia com isso a vitória, sempre foi de conhecimento da equipe que a iminente punição se daria, talvez o modo como esperavam receber, fosse de forma oficial, mas não foi o que houve.

Tanto Zonta, como Camilo, terão julgados seus recursos na tarde de hoje, e finalmente saberemos quem foram os vencedores da corrida 2 do Velo Città e da corrida 1 em Goiânia.

Vamos aguardar, agora com mais subsídios para entender o veredito final.

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